A globalização e a revolução das tecnologias de comunicações, têm feito conhecerem-se e conviverem as culturas mais distintas, levando a reflexões sobre valores e regras sociais. Não há mais padrões moralistas definidos e fortes em nossa sociedade. "Você pode ser o que quiser".
Mas o que é que eu quero ser? Eu não sei nem quem eu sou...
Há essa falha de que não somos ensinados a reconhecer quais são os nossos desejos e necessidades.
Então, ficamos procurando essas referências externamente: pessoas, coisas, mídia...

Aceitamos os padrões impostos:
"você é um fracassado, olhe só todas essas pessoas de sucesso, você é não se esforça"
"você é gorda, olhe só todas essas modelos lindas e maravilhosas com todos esses homens correndo atrás, ninguém nunca vai te amar desse jeito aí"
"você é chato, olhe só todos esses jogos que você não está jogando, todos esses filmes e séries que você não está vendo, todos esses livros que você não está lendo".
E aceitamos as "soluções" propostas pela sociedade do espetáculo:
"Eu preciso ser igual àquela celebridade"
"Eu preciso usar a roupa x, ter o corpo y, agir como z"
"Eu preciso estar bem informada para falar sobre o assunto tal"
Acontece que esse externo é extremamente multifacetado e mutável. Não há nada fixo nele que eu possa agregar a mim para afirmar: "ah, isso sou eu!". Sempre haverá um novo produto que você não tem, um novo modelo de comportamento que você não segue, todos moldados exatamente como a solução perfeita que você precisa para ser uma pessoa mais feliz. E isso gera a ansiedade, na medida em que lutamos para manter permanente algo que jamais o será.
É preciso que aprendamos a nos conectar com o nosso referencial interno, com aquilo que é mais íntimo e pessoal, com a consciência que está além de todos os processos de pensamento julgadores. É aquilo que me permite afirmar que "eu sou" a mesma que aquela criança na minha foto de infância, apesar de todo o desenvolvimento físico e psíquico pelo qual 'eu' passei. Este é o único referencial permanente pelo qual podemos nos guiar! É o local onde tudo acontece, aquilo que permanece equânime diante da impermanência externa. Somente assim é possível se dissociar da mutabilidade do mundo e configurar uma identidade, um 'eu sou'. Se a partir dele estabelecermos nossos desejos e necessidades, nosso propósito, não há mais disputas de opostos, não há mais ansiedade. Encontraremos a paz, encontraremos a verdadeira felicidade.
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