terça-feira, 30 de outubro de 2018

Técnica de Alexander

"Todos querem estar certos, mas ninguém se detém para verificar se a ideia do que é certo está certa"
F.M. Alexander


A abordagem tradicional da aprendizagem baseia-se na transmissão, para as crianças, de um certo corpo de conhecimentos considerados essenciais para o seu desenvolvimento mental. Esses conhecimentos são apresentados "de fora para dentro", de maneira disciplinada e intensamente estruturada. As matérias não se relacionam, necessariamente, umas com as outras e não há nenhuma preocupação em tornar o material relevante para a experiência do aluno. A tarefa da criança é absorver o conhecimento e reproduzir-lo em provas. Quem não consegue fazer isso é considerado um fracassado.
A velocidade do desenvolvimento tecnológico e científico envolve mudanças e inovações tão rápidas que exigem que os indivíduos saibam pensar por si próprios e se adaptem a diferentes circunstâncias. A filosofia "progressista" da educação tem por objetivo suprir essa necessidade. Baseia-se no princípio de educação "de dentro para fora", onde, num ambiente livre e relativamente desestruturado as crianças são incentivadas a aprenderem a si próprias, sempre que possível através da experiência direta.
A aplicação em grande escala desses ideais é uma tarefa muito complexa que exigiria uma transformação radical da natureza de nossa sociedade. A Técnica de Alexander é um método prático através do qual se pode dar início a essa exploração, criando uma modalidade de educação envolvendo a totalidade das atividades humanas, desde o nível fisiológico através dos níveis intelectual, moral e prático, até o nível espiritual. Uma educação que, ao ensinar às crianças um melhor uso de si mesmas, é capaz de preservá-las da maioria das doenças e maus-hábitos. Uma educação que, pelo treinamento da inibição e controle consciente, daria aos homens e mulheres os meios psicofísicos para se comportarem racional e moralmente. Uma educação dedicada ao desenvolvimento da responsabilidade individual e à libertação do hábito impensado. Indivíduos educados para dominarem a si mesmos.


Ao observar o comportamento das crianças, surpreende-nos o desprendimento com que exploram o seu meio - livre movimento das pernas, dos braços, que se estendem em direção ao desconhecido. Seus erros tornam-se parte da experiência e elas não se deixam intimidar pelo fracasso; não sentem vergonha, raiva ou constrangimento, mas apenas um desejo renovado de prosseguir sua exploração. Nós, adultos, destruímos grande parte da capacidade intelectual e criativa da crianças através daquilo que fazemos e as obrigamos a fazer. A destruímos principalmente pelo medo: desenvolvem o medo de não fazer o que outros querem que ela faça, de não agradarem, de fracassarem, de errarem.
Fazemos assim com que tenham medo de arriscar, de experimentar, de tentar o difícil, o desconhecido.
O aprendizado deve ser desassociado do "difícil", "trabalho penoso", "persistência", "escola", "professor", "recompensa", "aprovação externa"!

Utilizado como recurso didático/educacional, a Técnica de Alexander amplia a percepção das reações estereotipadas ao medo Primeiramente, tornando-as mais acessíveis à consciência, para compreendê-las, depois solucioná-las, evitando que reprimam a capacidade de aprender.

   1. Superando o medo;
   2. Desenvolvimento da atenção;
   3. Atenção ao processo;
   4. Avanço do conhecido para o desconhecido;
   5. Desprendimento de "certo" e "errado";
   6. Pensamento experimental;
   7. Cinestesia;
   8. Não-interferência.

A TA implica uma tentativa contínua de descoberta e liberação de nós mesmos de camadas cada vez mais profundas de interferências com nosso funcionamento natural.
A TA desenvolve a confiabilidade e coordenação cinestésica, tornando mais fácil o aprendizado de qualquer habilidade (aprender a cantar, andar de bicicleta, correr, fazer malabarismos, leitura dinâmica, escrever...).
A mudança que a TA pretende é fundamental. Dela faz parte desistirmos de nossos hábitos mais íntimos e confortáveis e assumirmos uma responsabilidade cada vez maior por nós mesmos. Não é um processo rápido, ou fácil.


Por onde podemos começar?


É preciso evitar os juízos de valor (certo vs errado, bom vs mau, bonito vs feio, etc)
O primeiro passo no sentido de uma mudança real é a observação e aceitação daquilo que é.

Comece agora mesmo, conscientizando-se daquilo que você está fazendo ao ler esse texto. Você está notando alguma tensão desnecessária em seus dedos, mãos, braços, ombros, pescoço, maxilar, olhos, estômago, abdome, quadril, pernas, costas?
O alinhamento do seu corpo está equilibrado?

Perguntas como essas podem ser difíceis de responder devido a uma percepção sensorial enganosa. Para obtermos uma percepção mais clara da maneira como usamos a nós mesmos é útil termos pontos de referência específicos. Um deles é o espelho.

Fique de pé em frente a um espelho e observe-se.
Sua cabeça está inclinada?
Um ombro é mais baixo do que o outro?
Quando você se abaixa, se curva pelo quadril ou pela cintura?
Explore suas articulações, seu local exato e suas variações de movimento.
Sem sapatos, permaneça de pé por três ou quatro minutos, com o peso distribuído uniformemente e observe essa distribuição, observe seu equilíbrio.
Levante uma perna do chão e observe.
Feche os olhos e observe o que acontece quando você começa a perder o equilíbrio.

Observe a respiração.
Não tente mudá-la, ou melhorá-la conscientemente.
Ela irá naturalmente se você criar condições adequadas em todo o organismo, alternando seus padrões de tensão que influem nela.

Se você abraçar seus joelhos por 20 segundos e observar os efeitos sobre seu diafragma e respiração terá uma noção de como esses padrões funcionam.

Apenas observe. Tentando não influenciar de nenhuma forma. Observe os reflexos sobre seu pescoço, tórax, ombro, pélvis, joelho, enquanto respira. Observe o ritmo e como ele se modifica quando você começa a se mover.
Volte a atenção para sua respiração enquanto executa as mais variadas atividades cotidianas.


Deite-se no chão e observe o relaxamento dos músculos habitualmente tensionados quando se está de pé.
Sinta um contato cada vez maior com o chão.
Imagine-se levantando e observe onde surgiram tensões.
Faça isso enquanto executa um movimento de levantar-se por etapas. Observando progressivamente o surgimento de tensões, forças, ajustes, etc.

A qualidade da voz e respiração é outro ponto importante. Comece a ler esse texto em voz alta e ouça o som da sua voz. Depois de algumas frases puxe a cabeça para trás e observe as mudanças em seu tom de voz.
Tome um verso ou uma vogal sussurrada (ex: "aaaaahhhhh") e repita-a ocasionalmente durante o dia enquanto estiver executando as mais variadas atividades.


A área de observação mais importante é a natureza e velocidade das reações.
Treine a inibição primeiramente com estímulos externos usuais, como o toque do telefone ou campainha. Treine ficar em total inatividade, sem se fixar de forma alguma.
Parar adequadamente significa não interferir na respiração nem ficar tenso antes de se mover.


Mais do que os grandes eventos - traumas e êxtases - o que determina a qualidade de nossas vidas é a escolha que fazemos da maneira pela qual nos conduzimos a cada dia a dia.


Observe também as outras pessoas. Sem juízos de valor.
Como elas usam a si próprias?
Elas parecem flutuar ou estar presas ao chão?
Tente perceber as tensões distribuídas.


Instrução

A instrução consciente acaba por tornar-se apenas uma questão de saber para onde se está indo. Exatamente no momento em que você está lendo estas palavras, sua cabeça, ombros e joelho estão seguindo uma determinada instrução. Você estava consciente disso? Escolheu esse padrão?
A atividade de cada uma das suas partes reflete a sua orientação como um todo.
A instrução trata-se apenas de pensar "para cima".

Estudos sugerem que há uma relação muito mais estreita entre o pensar e o fazer do que até então se havia imaginado.
É possível perceber reações musculares ao desejo, à vontade, ou simplesmente à atenção voltada a um músculo / parte específica do corpo.

A atenção, no sentido que lhe é dado por Alexander, envolve uma consciência equilibrada de nós mesmos com o meio ambiente, além de uma ênfase natural em tudo o que, no momento é particularmente relevante.

Alexander enfatizou sempre o PROCESSO de atingir seu objetivo e não o objetivo em si. A maioria de nós deixa que o campo de nossa atenção seja dominado por objetivos imediatos; deu a isso o nome de "busca pelos fins". Ao se adotar essa abordagem, qualquer tentativa de mudança de hábitos corporal resultará em um reflexo automático dos músculos e em um mau Uso do organismo. (ex:  "endireite a coluna", "abaixa o ombro".
Alexander chamou o método indireto de mudança de abordagem dos meios-pelos-quais, que pode ser definido como "consciência das condições atuais, consideração racional de suas causas, inibição das reações habituais e desempenho conscientemente orientado da série indireta de passos necessário para a busca do fim"

> O primeiro dos meios é o mais importante fim a ser descoberto.

Em tudo o que diz respeito à vida, os bens mais substanciais só podem ser alcançados por meio da abordagem indireta. A religião, por exemplo, é inútil quando há busca por vantagens imediatas. É axiomático que o devoto deva, primeiro, buscar sua própria experiência de religião/espiritualidade no dia-a-dia.

O maior desafio é atingir a "mente do dia-a-dia". Ao atingi-la, o homem, embora sem pensar, conhece suas reais necessidades: dorme quando está cansado, come quando tem fome, somente o suficiente para satisfazer essa fome, etc. Ele é um artista Zen da vida. Ele tem seus membros, seu corpo, sua cabeça e demais partes. A sua vida-Zen expressa-se por intermédio desses instrumentos importantes à sua manifestação. Suas mãos e pés são seus pincéis e o universo inteiro é a tela em que ele retrata a sua vida.

> Observe uma simples folha de bambu. Sob o peso da neve ela curva-se cada vez mais. De repente a neve desliza para o chão sem que a folha tenha feito o menos movimento.
Seja assim nos momentos de tensão, para que aquilo haja por você. Tornando-se criativo, a distinção entre fins e meios desaparece.


Inibição

Não recebemos um treinamento sistemático e prático para inibição consciente e, assim, não exploramos o plano potencial de nossa capacidade inibitória para a preservação de nosso equilíbrio psicofísico. A TA desenvolve esse poder inibitório de uma forma que inclui o organismo todo e não apenas o intelecto.
Nos primeiros estágios de uma sequência de aulas, a responsabilidade principal do aluno é evitar qualquer reação desnecessária à intervenção do professor. Com as mãos, o professor orienta o aluno em direção a um Uso mais equilibrado de seu Controle Primordial e depois faz com que ele execute alguns movimentos simples. Na medida em que se amplia a experiência do aluno, ele pode começar a perceber as manifestações "natas" de suas reações habituais. Por exemplo, pode perceber como sua noção de "ficar em pé" está associada a uma tendência a enrijecer o pescoço, por exemplo.
Alguns professores propõe jogos como: "dentro de um minuto eu vou pedir-lhe que diga "oi", mas gostaria que você não desse resposta". Quando o professor diz "por favor, diga 'oi' ", o aluno em geral responde dizendo "oi" ou "o..." ou simplesmente contraindo excessivamente a faringe.
A intensa experiência cinestésica que geralmente se segue ao funcionamento aprimorado do CP ajuda a desenvolver a consciência e a coordenação.

terça-feira, 3 de julho de 2018

A Coragem de Ser Imperfeito - Brené Brown


Fichamento

Bréne Brown - A Coragem de Ser Imperfeito


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Uma pessoa plena: 

1. Cultiva a autenticidade; se liberta do que os outros pensam. 
2. Cultiva a autocompaixão; se liberta do perfeccionismo. 
3. Cultiva um espírito flexível; se liberta da monotonia e da impotência. 
4. Cultiva gratidão e alegria; se liberta do sentimento de escassez e do medo do desconhecido. 
5. Cultiva intuição e fé; se liberta da necessidade de certezas. 
6. Cultiva a criatividade; se liberta da comparação
7. Cultiva o lazer e o descanso; se liberta da exaustão como símbolo de status e da produtividade como fator de autoestima. 
8. Cultiva a calma e a tranquilidade; se liberta da ansiedade como estilo de vida. 
9. Cultiva tarefas relevantes; se liberta de dúvidas e suposições
10. Cultiva risadas, música e dança; se liberta da indiferença e de “estar sempre no controle”


Viver plenamente quer dizer abraçar a vida a partir de um sentimento de amor-próprio.

Aqueles que amam e vivenciam a aceitação simplesmente acreditam que são dignos disso.

As pessoas plenas apresentam disposição para estar vulnerável.


>> O que nós sabemos tem importância, mas quem nós somos importa muito mais. Ser, em vez de saber, exige atitude e disposição para se deixar ser visto.



... Medo da humilhação de ser alguém comum ...

Acredita-se que "uma vida comum é uma vida sem sentido". Nota-se que crianças que crescem num ambiente de reality shows, culto à celebridade e mídia social sem controle podem absorver essa mensagem e desenvolver uma visão de mundo completamente distorcida: "o meu valor é dado pela quantidade de pessoas que curtem minhas postagens no Facebook ou no Instagram".



(a completar)


Pare de buscar o seu propósito

Adoro essa reflexão de "pare de buscar o seu proposito".

Eu já havia esbarrado com ela em outro momento e causou uma mudança muito bonita na minha vida.

Como eu entendo: o problema não é pensar em proposito especificamente, o problema é a busca pelo proposito único e especial que dará sentido a tudo o que foi vivido e o que se vivera (passado/futuro); fugindo do agora, do que se vive agora :)

Nesse sentido mudei a minha percepção em relação a esse proposito, parar de buscar o proposito máximo da vida, e pensar: qual é o meu proposito agora?

E como um amigo me disse lindamente no outro dia, eu também tenho como missão de vida ser um canal de amor, e também a busca, constante, por ser uma pessoa melhor, pra mim, pro mundo. Então esse passa a ser o meu proposito, a todo momento.

E sim, nesse momento, agora, posso expressar o meu amor ao limpar o chão, ao cozinhar, ao decidir não gritar com alguém que me irrita e sair do ambiente respirando fundo, ao dançar, ao meditar.... enfim, ao me conectar comigo e com a minha demanda interna a cada momento.... a cada momento posso ser esse canal de amor, posso me aperfeiçoar como pessoa. E compreender isso é maravilhoso. Viver isso, ainda mais.






quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

O Efeito Sombra - Deepak Chopra


[ fichamento - parte 1 ]


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A sombra ganha quando falhamos em admitir nossas vulnerabilidades e reconhecer maus comportamentos; quando nos recusamos a aceitar nossa verdadeira natureza, a obscuridade de nossos impulsos humanos.

O preço que pagamos por ser uma boa pessoa - algo que todos aspiramos [nosso Ideal de Ego] - é que a pessoa má, que pode arruinar tudo, precisa ficar escondida. [Acreditamos que somos somente essa “boa pessoa”; não vemos / aceitamos o “mau” dentro de nós; essa é a nossa sombra]

A sombra é uma criação humana. [surge a partir do meio social - desenvolvimento do Super Ego]


O que nos impede de entrar em contato com a própria sombra?

  • Sempre que surge um comportamento em nós com o qual não concordamos (violência, raiva, medo), tendemos a buscar uma causa externa para justificá-lo (um agente biológico patológico, forças do mal, etc) e, assim, buscamos uma solução também externa (remédios, rituais, purificações, etc - “soluções milagrosas”). [Também Demônio vs Deus, como causas e solução externas]
  • a Sombra não é vista como parte integrante de nós. Rejeitamos-a, ela é uma doença, uma periculosidade, que precisa de um remédio / contenção / reabilitação.


“Deixe-o chegar ao fundo do poço”. Esse conselho, que soa como maléfico até, é necessário para explicitar que a própria pessoa precisa se sentir motivada por si mesma a aceitar sua sombra e integrá-la. É isso que se chama “fundo do poço”: o encarar a sombra de frente e admitir-se responsável pelos próprios comportamentos tidos como destrutivos.

A mudança só é possível quando há autorresponsabilização.




Você só tem um Self. É o seu Eu Real. Ele está além do bem e do mal.

Bebês são isentos de um Ego / Eu. [Estão fusionados com o objeto]

Ao relacionar-se com o mundo e as pessoas, desenvolve-se um Ego individual, com necessidades, crenças, impulsos, tendências, desejos, sonhos e temores. [Aprendemos a nos identificar - como um Eu - com essas necessidades, crenças, impulsos, tendências, desejos, sonhos e temores]

Qualquer crise que ataque o nosso senso de bem-estar também ataca o nosso Ego. [Isso acontece por estarmos identificados com os objetos externos (necessidades, crenças, impulsos, tendências, desejos, sonhos e temores)]

A qualquer momento em que você sente que seu mundo está ruindo, o que realmente está ruindo é o Ego e sua confiança, que compreende a realidade. [Aquilo que eu mesma, na interação com o mundo e as pessoas, construí como sendo um Eu está ruindo quando eu começo a tentar encarar a minha Sombra, pois aprendi a ver esses comportamentos como externos à o meu Eu perfeito e inabalável. O que se esquece é que esse Ego foi construído, e que portanto pode ser sempre REconstruído]

A noção de que você e eu criamos nossos Egos separados e isolados é uma ilusão. [o Ego/Eu somente pode existir a partir do “Outro” - aprendo a me reconhecer a partir de relações arbitrárias de equivalência (!) (igual, diferente, maior, menor etc); comparações]

Algumas pessoas são sociáveis e outras não, mas é muito difícil viver fora do Ego coletivo, o fazemos sempre que pensamos em termos de “nós” vs “eles”, em termos de pertença a algum grupo. Exemplos:
  • Quando recorremos ao apoio da família e amigos próximos.
  • Quando ingressamos em um partido político.
  • Quando nos oferecemos como voluntários a uma instituição de caridade ou comunidade.
  • Quando escolhemos lutar pelo país, ou defendê-lo. [ou por uma religião, instituição, ideal, personalidade / celebridade, time de futebo]
  • Quando nos identificamos com uma nacionalidade. [ou religião, instituição, time]
  • Quando um desastre ocorrido em algum lugar o afeta pessoalmente.
  • Quando somos apanhados pelo medo coletivo.


Como reconhecer os grupos com os quais meu Ego está identificado?

Observe seus papéis sociais, os rótulos que você e os outros colocam sobre a sua atuação no mundo: mãe, pai, filha, filho, solteira, casada, namorando, vizinho, dono, empregado, atleta, sedentário, brasileiro, europeu, saudável, doente, vivo, morto... O quanto eles realmente dizem à respeito ao que você “É”? [Ser vs Estar]


O deslize de comportamento não ocorre porque há maçãs ruins, mas porque elas se encontram em más condições. [Ou seja, não há individualidade propriamente dita, o que há são padrões de comportamento humano que emergem a todos que são submetidos às mesmas condições]

A sombra parece emergir mais enfaticamente quando há total anonimato; e essa perda de individualidade só aumenta enquanto não houver consequências para a má ação. [O que acontece nesse casos? A pessoa se expressa como Id, o SuperEgo não tem força, e o que aparece são tentativas desesperadas de obter reforçadores/evitar punição. Frequentemente aparece como uma "explosão": comportamentos violentos (podendo ser contra os outros, contra si mesmo, contra o ambiente), sintomas de múltiplas repressões anteriores. Fenômeno observável facilmente em análises de comentários na internet (facebook, youtube), onde o distanciamento derivado da tecnologia facilita a expressão de ideias preconceituosas e carregadas de violência; patologia em massa.]
> agravemento do pensamento "nós vs eles"


A sombra é um projeto compartilhado. [...] As experiências da infância geram inúmero lembretes posteriores como "isso é bom e isso é mau; isso é divino e isso é diabólico". Essa doutrinação é a maneira como todas as sociedades estão estruturadas. O que olhamos com negligência é o fato de estarmos criando um Ego compartilhado, ao mesmo tempo. Se as crianças fossem ensinadas a se manter alertas quanto à sua sombra, contando até mesmo os sentimentos mais obscuros, perdoando a si mesmas por não terem sido "boas" o tempo todo, aprendendo a libertar impulsos sombrios por meios de escapes saudáveis, então haveria bem menos danos à sociedade e ao ecossistema.

A sombra é uma criação humana. Ela foi forjada no inconsciente coletivo. A sombra estipula um modelo de "eles", pessoas que são estranhas a "nós". "Nós" temos o direito de lutar contra "eles", até mesmo destruí-los.
O que você chama de "eu" na verdade é "nós" em grau muito mais abrangente do que você imagina.
[Novamente, pense em papéis sociais e rótulos, seu nome, sexo, idade, família, profissão, peso, altura, cor da pele, onde mora, posses.... Pode olhar para cada uma dessas coisas sem pré-julgamentos virem à mente? Sem pensar em grupos e em diferenças entre estes grupos? Sem pensar em separatividade?]



Impulsos da sombra: raiva, medo, inveja e hostilidade.

[aprenda a identificá-los e a identificar os gatilhos para estes sentimentos: no seu ambiente, nas pessoas com quem convive, nos eventos e em si mesmo - comportamentos e pensamentos]
[a mudança é possível quando somos capazes de identificar os gatilhos e interromper o padrão habitual de reação - violência, destruição e separatividade - em se perguntando: nessa situação, como a energia pode ser usada para criar e/ou unir?

No entanto... Em vez de exercitar;os nosso poder para criar qualquer self que quisermos, temos passivamente herdado um self dividido, com toda a infelicidade e os conflitos que ele traz. Uma vez que você decide que "eu e meu" definem quem você é, os perigos da separação são inevitáveis.
[Eu e Meu estão compreendidos dentro da esfera da Impermanência; acreditar que Eu e Meu são imutáveis e eternos só pode ter como consequência sofrimento.]


Para ter a mudança holística, você precisa se envolver com o nível de criação holística. Há um exercício fascinante que dá uma dica de como isso pode funcionar. Feche os olhos e imagine uma experiência visual vivida, como um pôr do sol tropical no alto de uma montanha. A imagem, em si, pode ser qualquer coisa, contanto que você possa visualizá-la profundamente, em cores. Agora, imagine um sabor que você adora, como o de chocolate ou café. Entre profundamente nessa sensação até, de fato, saboreá-la. Passe para um som que você gosta muito,por exemplo, sua música preferida; depois, uma textura deliciosa, como veludo, e, finalmente, um cheiro, como o de rosa damascena ou lírio.
Após imaginar essas experiências vividas com os cinco sentidos, abra os olhos. Você se surpreenderá com o que verá. O mundo comum estará reluzente e vivo. As cores estarão mais brilhantes. Haverá uma vibração no ar. Essa mudança impressionante é relatada por todos, e isso demonstra que até mesmo uma ligeira ênfase em seu mundo interior faz com que o mundo externo automaticamente a acompanhe. O que temos aqui é uma dica para um dos mais profundos segredos espirituais: o poder de alterar a realidade.



Principais ingredientes utilizados para a criação do inconsciente coletivo:
  • Segredo. Aprendemos a não revelar nossos impulsos e desejos básicos.
  • Culpa e vergonha. Uma vez que impulsos e desejos básicos estavam ocultos, davam uma sensação ruim.
  • Julgamento. Qualquer coisa que desse uma sensação ruim tornava-se errada.
  • Culpar os outros. Queríamos saber quem era responsável pela dor que sentíamos.Projeção. Um bode expiatório conveniente era elaborado, podendo ser um inimigo odiado ou uma força demoníaca invisível.
  • Separação. Fizemos  tudo  que  podíamos  para  arrancar  essa  torça  demoníaca  para  fora  de  nós.  Os inimigos eram "os outros", contra quem era preciso se resguardar e com quem tínhamos de lutar.
  • Conflito. A projeção não conseguia afastar a dor permanentemente, portanto, resultava num estado constante de guerra do interior versus o exterior.
Em vez de permitir que a sombra nos vitimize, precisamos assumir o controle e recuperar nossas verdadeiras funções como criadores. [no momento em que a sombra é apenas vista como externa a luta é muito mais difícil, pois sempre haverá um outro contra quem lutar/culpar - pessoas, organizações, o "sistema", "forças ocultas". Por isso o primeiro passo precisa ser a autorresponsabilização]

A sombra nos persuadiu a culpar os outros em vez de assumir a responsabilidade. Ela nos diz que somos indignos de amor e respeito. Promove a raiva e o medo como reações naturais à vida.



Tá, mas o que é a minha sombra?

Todos os meus comportamentos que eu não reconheço como Eu - pensamentos, palavras e ações.

Qualquer coisa que o mantenha inconsciente é resultado da sombra, porque ela é o esconderijo da dor e do estresse. Explosões de violência em massa ocorrem quando o estresse social não pode mais ser contido. A violência doméstica ocorre quando o estrese pessoal não pode mais ser contido. O preço de se manter insconsciente é muito alto.

Como reconhecer a sombra?
Ela está presente sempre que for observado um ou mais dos fatores citados acima como ingredientes do inconsciente coletivo [pois o insconciente coletivo é reflexo dos inconscientes individuais!]

  • Manter segredos de você mesmo ou dos outros. Uma vida secreta dá à sombra material para evoluir. Formas de segredo são negação, fraude deliberada, medo de expor quem você é e condicionamento em função de uma família desequilibrada.
  • Fomentar culpa e vergonha. Todos somos falíveis; não há ninguém perfeito. Mas, se você sesentir envergonhado de seus erros e culpado por suas imperfeições, a sombra ganha poder.
  • Ser injusto com você mesmo e com os outros. Sevocê não consegue encontrar um meio de liberar sua culpa e vergonha, é muito fácil concluir que você — e outros — as merece. O julgamento é a culpa usando uma máscara para disfarçar sua dor. 
  • Precisar  de  alguém  para  culpar. Uma vez  que  você  decida  que  sua  dor  interior  é  uma  questão moral, não terá problemas em culpar outra pessoa que julgue inferior a você de alguma forma.
  • Ignorar as próprias fraquezas ao criticar os que estão à sua volta. Esse é o processo de projeção que  muitosnão  enxergam,  nem  compreendem  muito  bem.  Mas,  sempre  que  você  tenta  explicar  a situação  como  um  ato  de  Deus  ou  do  Diabo,  você  está  projetando.  O  mesmo  vale  para  identificar "eles", as pessoas más que causam problemas. Se você acredita que o problema está com eles, você projetou seu próprio medo, em vez de assumir a responsabilidade por ele.
  • Separar-se dos outros. Se chegar a ponto de sentir que o mundo está dividido entre "eles" e "nós", você vai naturalmente identificar seu lado como o lado bom e escolhê-lo. Esse isolamento aumenta a sensação de medo e desconfiança, ambiente em que a sombra prospera.
  • Lutar para manter o mal contido. No fundo do ciclo, as pessoas estão convencidas de que o mal está à espreita, em toda parte. O que realmente aconteceu é que os criadores da ilusão estão sendo iludidos por suas próprias criações. Tudo se juntou para dar à sombra um imenso poder.


> Existe uma espiral declinante. Ela começa com o pensamento de que é preciso manter segredos, depois, esses segredos, em vez de permanecerem silenciosamente escondidos, tornam-se a fonte de vergonha e culpa. Entra o julgamento pessoal. É doloroso demais conviver com isso, então, você procura alguém de fora para culpar. A espiral acaba levando ao isolamento e à negação. Quando você se encontrar lutando contra o pecado e o mal, já terá perdido de vista o fato básico que o salvaria: Fazer as escolhas opostas.



Passo 1: Pare de Projetar

Todos usamos a projeção como uma defesa para evitar olhar para dentro de si mesmos.
> Defesa inconsciente.

Formas típicas que a projeção pode assumir:
  • Superioridade. "Eu sei que sou melhor que você. Você deveria ver e reconhecer isso."
  • Injustiça. "É uma injustiça que essas coisas ruins aconteçam comigo" ou "Eu não mereço isso."
  • Arrogância. "Tenho orgulho demais para me incomodar com você. Até sua presença me irrita."
  • Defensiva. "Você está me atacando, então, não estou ouvindo."
  • Culpar os outros. "Eu não fiz nada. É tudo culpa sua."
  • Idealizar os outros. "Meu pai era como um Deus quando eu era pequeno", "Minha mãe era a melhor mãe do mundo" ou "O homem com quem eu me casar será o meu herói".
  • Preconceito. "Ele é um deles, e você sabe como eles são" ou "Cuidado, esse tipo de gente é perigosa."
  • Ciúme. "Você está pensando em me trair; posso ver isso."
  • Paranoia. "Eles querem me pegar" ou "Eu vejo a conspiração que ninguém mais vê".
Sempre que um desses comportamentos surgir, há um sentimento oculto na sombra que você não consegue encarar. Aqui estão alguns exemplos:
  • A superioridade camufla o sentimento de fracasso ou o de que os outros o rejeitariam se soubessem quem você realmente é.
  • A injustiça camufla o sentimento de pecaminosidade ou a sensação de que você é sempre culpado.
  • A arrogância camufla a raiva acumulada e, abaixo dela, há uma dor profundamente arraigada.
  • A defensiva camufla a sensação de que você é indigno e fraco. A menos que você se defenda dos outros, eles começarão a atacá-lo.
  • Culpar os outros camufla a sensação de que você está agindo errado e deveria se envergonhar.
  • Idealizar os outros camufla a sensação de que você é uma criança fraca e indefesa, que precisa de proteção e cuidados.
  • O preconceito camufla o sentimento de que você é inferior e merece ser rejeitado. 
  • O ciúme camufla seu próprio impulso de desvio ou um senso de inadequação sexual.
  • A paranoia camufla uma ansiedade entranhada e sufocante.

Para interromper a projeção você precisa:
> Enxergar o que está fazendo; [tomar consciência de que se está projetando, observar a lista exposta acima!]
> Entrar em contato com o sentimento oculto sob a superfície; [tomar consciência de que há um sentimento, um sofrimento, uma dor em mim, e que isso me leva a projetar]
> Fazer as pazes com esse sentimento. [reconheça-os como seus, se permita senti-los,]

Dentro de todo sentimento há uma história: "Sou assim por essa razão". A maioria das histórias está enraizada na infância, porque essa é uma época do aprendizado da culpa, da vergonha, do ressentimento, da inferioridade e de toda a negatividade básica que trazemos conosco. [Esse aprendizado for necessário como uma defesa ao que estava sendo vivido naquela época] Nenhum de nós precisa de proteger de uma infância que já passou há muito tempo.



O processo começa com o reconhecimento de seus sentimentos indesejados, trazendo-os à superfície. [pergunte-se: o que é que incomoda? o que é essa sensação de mal-estar, de negatividade?]

Toda vez que você sente uma emoção negativa, seu corpo emocional está expressando desconforto, fadiga ou dor. Preste atenção a estes sintomas, da mesma maneira como faria com uma dor ou desconforto físico. Se você tivesse uma pedra no sapato, não hesitaria em removê-la. No entanto, quanto tempo você já suportou as pedras espirituais de seu sapato?
Seu futuro depende da eliminação do seu passado.


O que você escolhe para sua vida?
  • Amor? Ou sentimento de posse, ciúme, medo de perda?
  • Criatividade? Ou constante cópia, reproduções?
  • Senso de estar vivo? Ou falta de sentido?
  • Beleza? Ou asco?
  • Inspiração? Ou tédio?
  • Intuição? Ou dúvidas?
  • Sonhos? Ou sensação de nulidade?
  • Perspectivas? Ou engessamento, limitação?
  • Anseio? Ou medo, rejeição, preocupação?
  • Realização? Ou mecanicidade, rotina, importência?
  • Sensação de integração? Ou isolamento?
  • Admiração, espanto? Ou tédio, asco, rejeição?
  • Êxtase, alegria? Ou tristeza?
  • o Sobrenatural, divino? Ou materialismo, ceticismo, racionalização?

Todas as emoções são válidas, de uma maneira ou de outra. Mas, quando você acrescenta o ingrediente do julgamento próprio, qualquer emoção pode ser danosa. 
Pare de rotular, culpar e julgar. Abra mão das fantasias de mostrar ao mundo que você está certo e os outros estão errados.

Dê valor à compaixão. Se você for capaz de olhar para si mesmo e dizer: "Tudo bem, eu entendo", está assumindo suas emoções (ao invés de negar, esconder etc) e também da permissão a si mesmo de ser quem você é; a parte de julgamentos de "bom" vs "ruim".


Vivemos em uma época sem amor, graçar ao ceticismo e ao materialismo. Nenhum dos dois força a renúncia ao amor, mas o reduziram às químicas cerebrais, ao condicionamento psicológico, à atuação boa ou ruim dos pais e à saúde mental. 
O amor é sagrado.
Para encontrar amor, você tem que ser capaz de enxergar a si mesmo como alguém para ser amado.

O medo da rejeição incapacita milhões de pessoas. Você não pode ser rejeitado, a menos que rejeite a si mesmo.
O julgamento próprio assume várias formas, tais como medo do fracasso, um senso de ser vitimado, falta de confiança etc. Sensação de "não sou bom o bastante".
Muitas pessoas depara com uma falsa solução. Elas desenvolvem um imagem ideal, depois tentam fazer jus a essa imagem e convencer o mundo de que aquilo é o que são.

Demolir a imagem ideal de si mesmo é um desafio, porque ela é uma defesa bem mais sutil que uma simples negação. A negação é cegueira; a autoimagem idealizada é pura sedução.
Não há necessidade de defender que você realmente é. [Só me sinto atacado porque tento sustentar mentiras] 


A liberdade não é o fim do caminho. É o começo.


Percepção sem escolha.
O que você quer é aquilo que você precisa. [diferente daquilo que o Ego precisa para se manter intocado]


O que é que se busca alcançar?
O que significa libertar-se da sombra?

  • Você valorizará o equilíbrio.
  • Os aspectos isolados de sua vida trabalharão em direção a um propósito comum.
  • Cada aspecto da vida assumirá igual valor.
  • O descanso entrará em harmonia com a atividade. 
  • O âmago de seu self, que está calmo e em paz, não se perturbará em meio à atividade.
  • A medida que sua situação se modificar, você se adaptará e permanecerá resiliente.
  • Aos primeiros sinais de que o estresse está lhe tirando da zona de conforto, você vai perceber e reagir.
  • Você vai valorizar o bem-estar acimada experiência individual.

Gente  comum  se  preocupa  que  Deus  possa  estar  tão  longe  que  Ele  tenha  se  esquecido  de  nós, enquanto entusiastas religiosos creem fervorosamente que Deus está perto em todos os momentos. As duas visões derivam da dualidade, já que perto é o oposto de longe. Mas imagine a cor azul. Antes de vê-la em sua mente, a cor estava perto ou longe de você? Diga a palavra "elefante" para si mesmo. Antes de surgir à mente, o seu vocabulário estava longe ou perto? Usamos a consciência por motivos individuais,  a  serviço  do  "eu  e  meu",  porém,  você  pode  se  localizar  no  tempo  e  no  espaço  sem conseguir  localizar  sua  consciência.  Não  há  distância  entre  você  e  uma  lembrança,  você  e  o pensamento seguinte. Partindo da perspectiva da plenitude, já que tudo está sendo coordenado de uma só vez, a distância é irrelevante.

Os únicos que conquistam a sombra não lutam com ela; eles a transcendem. O nível do problema nunca é o nível da solução.

A meditação é uma excelente ferramenta: leva a pessoa para além da mente pensante, o que significa para além do conflito.

Você está vivendo perto da fonte da consciência se as afirmações a seguir forem verdadeiras:
  • Está em paz.
  • Não pode ser abalado de seu centro.
  • Possui autoconhecimento.
  • Sente compaixão sem julgamento.
  • Vê a si mesmo como parte do todo.
  • Não está no mundo. O mundo está em você.
  • Ações espontaneamente o beneficiam.
  • Seus desejos se manifestam facilmente, sem desgaste nem esforço.
  • Pode executar ações intensas com desprendimento.
  • Não está visando nenhum resultado pessoal.
  • Sabe como se render.
  • A realidade de Deus é visível em toda parte.
  • A melhor época é o presente.
  • Você fica descontraído.
  • Há ausência de culpa e julgamento próprio.
  • Você experimenta uma sensação de retidão.
  • As condições externas não o bloqueiam.
  • Outras pessoas colaboram sem oferecer resistência.
  • Os frutos de suas ações são positivos.
  • O desejo termina em um sentimento de realização e satisfação.
  • A vida fica mais fácil, destituída de esforço.
  • Você age de maneira mais espontânea.
  • O mundo já não traz reflexos negativos.
  • Seus desejos são realizados com mais facilidade.
  • Você encontra felicidade na simples existência. Estar aqui é o suficiente.
  • Você ganha percepção própria sabendo quem realmente é.
  • Sente-se incluído na plenitude da vida.

Seu verdadeiro Self é aceitável, não porque você é tão bom, mas porque você é completo. Todas as coisas humanas lhe pertencem.





RESUMO

1. Reconheça sua sombra quando ela trouxer negatividade para sua vida. [ficar alerta: "o que incomoda?"]
2. Abrace e perdoe sua sombra. Transforme um obstáculo indesejado em seu aliado. [aceitação da realidade; observação com objetividade e não julgamento]
3. Pergunte a si mesmo que condições estão dando origem à sombra: estresse, anonimato, permissão para  causar  danos,  pressão dos  colegas,  passividade,  condições  desumanas,  uma  mentalidade  "nós versus eles".
4. Compartilhe  seus  sentimentos  com  alguém  em  quem  confie:  um  terapeuta,  um  amigo  de confiança, um bom ouvinte, um conselheiro ou confidente.
5. Inclua  um  componente  físico: trabalho  corporal,  liberação  de  energia,  respiração  de  ioga,  cura interativa.
6. Para  mudar  o  coletivo,  mude  a  si  mesmo —projetar  e  julgar  "os  outros"  como  malfeitores  só aumenta o poder da sombra.
7. Pratique a meditação, de modo a experimentar a consciência pura, que está além da sombra.



quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

A Psicologia da Felicidade - Mihaly Csikszentmihalyi



[pequeno fichamento]




Modelo de Mihaly Csikszentmihalyi do Fluxo em relação aos desafios e habilidades.







Fluir / Flow:
  • Experiência máxima da vida humana 
  • Alegria (sentimento), Criar (criatividade), envolvimento total com a Vida =)


“O acúmulo de expectativas é detido, as necessidades não satisfeitas deixam de perturbar a mente. Mesmo as experiências mais rotineiras tornam-se agradáveis” (p.21)

“Com o objetivo de lidar com esses obstáculos [expectativas / frustração; necessidade / insatisfação crônica] todas as culturas desenvolveram, com o tempo, mecanismos de proteção - religiões, filosofias, artes e comodidades - que ajudam [...] a acreditar que estamos no controle daquilo que está acontecendo [...] Mas esses escudos são eficazes apenas durante certo tempo [...] Quando as pessoas tentam alcançar a felicidade por conta própria, sem o apoio da fé, em geral tentam intensificar ao máximo os prazeres biologicamente programados em seus genes ou considerados agradáveis pela sociedade em que vivem” (riqueza, poder, sexo) (p.22)

“Apenas o controle direto da experiência, a capacidade de obter, instante a instante prazer com o que fazemos pode superar os obstáculos à satisfação” (p.22)


O Universo não está planejado de modo a oferecer conforto aos seres humanos!
Os processos naturais contrastam com a ordem que tentamos estabelecer em nossas metas 
~ caos ~


“É prudente não esperar que os esforços para modificar as condições externas melhorem de imediato nossa qualidade de vida”


“Como nos sentimos a respeito de nós mesmos, a alegria que experimentamos por estarmos vivos, dependem diretamente, afinal, do modo como nossa mente filtra e interpreta as experiências diárias.” [perspectiva] (p.24)



→ Vida ativa → Estar aberto a experiências, continuar aprendendo, fortes ligações e compromissos com outras pessoas e com o meio em que vivem.



Mitos e Crenças: “transformar as forças esmagadoras e aleatórias do universo em padrões controláveis ou, pelo menos, compreensíveis.”


(proteção, reafirmação da sua importância e sucesso final)


“Quando percebem que tudo em que acreditavam não é bem verdadeiro, abandonam a fé depositada nas demais coisas apreendidas. Privados do apoio habitual oferecido pelos valores culturais, perdem-se num emaranhado de ansiedade e apatia” (p.27)


Para a maior parte das pessoas existe, subjacente, a expectativa de que as coisas melhorarão. Conforme os anos vão passando, e a mortalidade vai se insinuando, as inquietações se agigantam: “onde está todo aquele dinheiro que eu deveria ter ganhado?”; “onde estão todos aqueles momentos agradáveis que eu ia passar?”; “Mas é só isso?”.


→ Ansiedade ontológica: a vida não tem significado e não vale a pena continuar vivendo.



Fomos condicionados a acreditar que um futuro de sucesso e felicidade estava preparado, esperando por nós. Hoje em dia essa insatisfação se apresenta cada vez mais cedo, por pais que põe o filho no centro do mundo. Mas quando esse filho sai de casa, o mundo não está tão preocupado em fazê-lo rei.


Soluções fragmentadas não funcionam, e tiram o foco do que é realmente importante:

  • Comprar mais e maiores e “melhores” coisas 
  • Academia, dieta, cirurgias plásticas 
  • Curso de motivação, de como ter mais amigos, ter poder 
  • Hobbies superficiais (ex. coleções), prazeres exóticos e diversões caras 
  • Vícios 



“Para superar as ansiedades e depressões da vida contemporânea, os indivíduos devem se tornar independentes do meio social, a ponto de não reagirem exclusivamente em função de suas recompensas e punições. Para atingir essa autonomia, devem aprender a oferecer recompensas a si mesmos. Devem desenvolver a capacidade de encontrar alegria e propósito independente das circunstâncias externas.” (p.34)


“A essência da socialização é tornar as pessoas dependentes de controle social e fazê-las reagir de modo previsível a recompensas e punições”


→ As leis controlam por ameaça, os políticos, igrejas, corporações e anunciantes por prazeres.


“Uma pessoa socializada por completo é aquela que só deseja as recompensas que os outros aceitam que ela deseje” (p,37)



Marco Aurélio: “Se as coisas externas lhe causam dor, não são elas que o perturbam, mas sim sua própria maneira de julgá-las. E está em seu poder eliminar tal julgamento”



Bem vs Mal / Prazer vs Dor, não são atributos da experiência em si, da realidade. A realidade é, apenas. O julgamento ocorre na consciência.



~ O controle da consciência determina a qualidade de vida ~


~ O controle da consciência conduz ao controle da qualidade da experiência ~


“Qualquer pequeno passo nessa direção tornará a vida mais rica, mais agradável, mais significativa”





CONSCIÊNCIA


Sem a consciência, reagimos de modo reflexivo, instintivo. Com a consciência, podemos avaliar as sensações, percepções, sentimentos e ideias, e reagir de modo deliberado, estabelecendo prioridades de ação.


Fenomenologia: lida diretamente com os fenômenos, tal como os vivemos e interpretamos, em vez de focalizar as estruturas anatômicas, os processos neuroquímicos ou mecanismos inconscientes.

Consciência como “informação intencionalmente organizada” (p. 48). Envolve a dinâmica da atenção e da memória. Sensações, sentimentos, pensamentos, intenções. A realidade vivenciada de forma subjetiva.


“Os acontecimentos externos não existem a não ser que tenhamos consciência deles”


“O que caracteriza alguém que controla a própria consciência é sua capacidade de focalizar a atenção conforme deseje [...] A pessoa que consegue em geral aprecia o curso normal da vida diária” (p.55)




* Recusando-se a depositar a atenção em pensamentos e atitudes improdutivos

* Satisfazer-se em registrar a realidade, compreendendo-a, sem julgá-la



SELF: Existe apenas na própria consciência

-> Representa simbolicamente todos os outros conteúdos, bem como o padrão de suas inter-relações.

Com muita frequência associamos nosso self ao corpo, embora possamos identificá-lo com uma casa, uma pessoa, uma ideologia, um emprego, um papel social.





Princípios: não sobre o sentido da vida, mas sobre a experiência de estar vivo! “De modo que nossa experiências de vida, no plano puramente físico, tenham ressonância no interior de nosso ser e de nossa realidade mais íntimos, de modo que realmente sintamos o enlevo de estar vivos”


Estamos tão empenhados em realizar feitos com o objetivo de atingir propósitos de um outro valor. [Buscamos a felicidade como a um objeto, uma pessoa; como se fosse algo para segurar na mão e não soltar mais e “pronto, agora sou uma pessoa feliz”. Nós esquecemos que a felicidade é um estado , que é preciso vivê-la e que ela não pode ser aprisionada em objeto algum, em pessoa alguma, em dinheiro nenhum. Ela é experienciada. Então, quando nos projetamos em uma busca pela felicidade, precisamos atentar que não buscamos coisas e sim um MODO DE VIDA FELIZ; o que queremos é vivenciar a experiência de estar vivo de um modo pleno, satisfatório, feliz. E isso independe de coisas, objetivos externos! ]


[A experiência da VIDA FELIZ PLENA precisa independer da realidade exterior / aparente. É a experiência que ressoa naquilo que é mais íntimo]




“O objetivo último da busca não será nem evasão nem êxtase, para si mesmo, mas a conquista da sabedoria e poder para servir a sociedade”

O Homem à Procura de Si Mesmo - Rollo May




[pequeno fichamento]






O que impede o homem de hoje a encontrar valores e metas nos quais possa se firmar?


“O problema fundamental do homem em meados do séc XX é o VAZIO. Com isso quero dizer não só que muita gente ignora o que quer, mas também que frequentemente não tem uma ideia nítida do que sente”

Não se tem uma experiência nítida dos desejos e necessidades

O que o leva a um estado de não saber agir no mundo (pois somos primariamente movidos por nossos desejos e necessidades) → Impotência [não há potência de vida, não-ação]


Insatisfação nos relacionamentos, incapacidade de concretizar metas ou tomar decisões, são sintomas desse vazio (pois colocamos no outro, no trabalho, nas compulsões, as expectativas de superação dessa falta que é interna, íntima)

Apegamos-nos também aos desejos que os outros colocam sobre nós (e as outras pessoas passam pelo mesmo processo descrito acima!)

Terminar faculdade, casar, ter filhos, um bom emprego, magreza, férias em Orlando, comprar ‘x’, ‘y’, ouvir tal música, assistir tal série, etc.

Assim se perde ainda mais, pensando sobre o que deveria desejar.

Buscamos a felicidade na completude das expectativas alheias.



“Sou apenas uma coleção de espelhos refletindo o que os outros esperam de mim”



As experiências cotidianas tornaram-se mecânicas, vazias.
[não há propósito, não há realização pessoal]


A amostra de pessoas que procuram a psicoterapia constitui um barômetro sensível e revelador dos conflitos e tensões existentes sob a superfície psicológica da sociedade.


[Sociedade do Espetáculo. Valorização daquilo que aparece, daquilo que é mostrado. Era da extroversão. Mas a ação está a todo momento sob julgamento alheio: “Vive como se tivesse um radar preso à cabeća que o orienta e diz-lhe perpetuamente o que é que os outros esperam dele”]


Antigamente (até Freud), havia padrões moralistas extremamente definidos e fortes na sociedade. A globalização (revolução das comunicações) fez conhecerem-se e conviverem as culturas mais distintas, levando à reflexão sobre valores e regras sociais. Não há mais padrão. “Você pode ser o que quiser”. Mas há essa falha de que não nos é ensinado a reconhecer nossos desejos e necessidades, então ficamos procurando essas referências externamente, nas pessoas, coisas, mídias. Um externo totalmente volúvel e multifacetado e mutável. [ → ANSIEDADE]


Quando confrontado com a finitude (morte), o sujeito não se reconhece mais nesses referenciais externos. “Nada faz sentido”. Vazio existencial. Justamente porque o externo é mutável, flexível. Não há segurança. [É preciso ao homem aprender a guiar-se pelo referencial interno. A consciência que é mais íntima e pessoal. “O lugar em que tudo acontece”. É o único referencial permanente ao qual podemos nos conectar. Se a partir dele estabelecemos nossos propósitos (desejos e necessidades) não há mais ansiedade] → não se fica mais sujeito às consequências reforçadoras do mundo, somente àquelas do referencial interno !


Passividade e Apatia: características do homem moderno.


“O quadro mais nítido de uma vida vazia é a do homem suburbano, que se levanta à mesma hora todos os dias, toma o mesmo trem para trabalhar na cidade, executa as mesmas tarefas no escritório, almoça no mesmo restaurante, tem três filhos, cuida de um pequeno jardim, passa duas semanas de férias na praia todo verão, vai à Igreja no Natal e na Páscoa, levando assim uma existência rotineira, mecânica, ano após ano, até finalmente aposentar-se aos 65 e morrer, pouco depois, do coração, num colapso causado talvez por hostilidade recalcada”. “Sempre suspeitei, porém, que morre mesmo de tédio”.



Rotina = futilidade?

→ tédio → sentimento de inutilidade → desespero → atividades destrutivas



“Os que vivem uma existência vazia suportam a monotonia somente com explosões ocasionais - ou pelo menos identificando-se com a explosão de alguém”

[vícios]


“A conformidade está sendo elevada a algo parecido com uma religião”


Sentimento de vazio: impotência, “incapacidade para fazer algo de eficaz a respeito da própria vida e do mundo em que vivemos”.


“Uma vez que o que a pessoa sente e deseja não tem verdadeira importância, ela renuncia a sentir e a querer”


A apatia e a falta de emoção são defesas contra a ansiedade.


Erich Fromm: “Hoje em dia as pessoas deixaram de viver sob a autoridade da Igreja ou das leis morais, mas submetem-se a autoridades anônimas, como a opinião pública. A autoridade é o próprio público, mas esse público é uma simples reunião de indivíduos, cada qual com seu radar ligado para descobrir o que os outros dele esperam”


“No final, o que tememos é o nosso vazio coletivo”

→ nos apoiamos na crença de que alguém ali sabe de verdade o que é melhor, o que é certo, o que é bom.




Empobrecimento cognitivo: sujeição à uma autoridade destrutiva.