A terapêutica da clínica psicológica exige que o profissional não se coloque na posição de autoridade.
Somos seres manipuladores, no sentido de que nossa história de vida nos ensinou a aperfeiçoar nossas ferramentas de obtenção de recompensas (onde os comportamentos melhores estabelecidos são aqueles que resultam em consequências reforçadoras).
Quando o cliente chega na psicoterapia, ele geralmente tem um objetivo estabelecido conscientemente, definido a partir de suas vivências fora da sessão. Mas como sempre temos a possibilidade de obter reforçadores diversos nas relações com as outras pessoas, o cliente irá se comportar de modo a obter esses reforços!
Se o terapeuta não estiver atento a isso, e clinicamente preparado para agir de acordo com às situações apresentadas por cada cliente, as sessões se definirão por uma competição - sobre quem dará a quem quais reforçadores; ou uma estabilidade - aceitando cada um o seu papel de dar / receber reforços. Nenhuma dessas duas configurações gerando mudança, autoconhecimento, pois não há variação de repertório.
Ao invés disso, a clínica psicoterápica deve caracterizar-se por um desequilíbrio saudável, na medida em que o terapeuta é justamente quem vai reagir diferentemente da sociedade em geral frente às demandas do cliente. Ao não oferecer as respostas, o diálogo, justificativas, esclarecimentos, etc, que o cliente espera; o terapeuta se retira do pedestal de autoridade e retira o cliente desse pedestal também, O terapeuta passa a ser um estímulo o mais neutro possível, servindo como um espelho que reflete as expectativas do cliente. Isso significa possibilitar ao cliente obter por si mesmo as respostas que está buscando.
As pessoas não conseguem isso na vida diária pois estão sempre reagindo aos estímulos do ambiente, sem refletir sobre as próprias necessidades, sobre os próprios comportamentos. A clínica é o espaço de possibilitar esse ambiente "neutro". Inicialmente, irão se verificar variações de repertório, correspondentes à extinção, para em seguida ser possível o trabalho de construções de novos repertórios, mais reforçadores de acordo com as metas de cada cliente.
Resumindo: pelo histórico de aprendizagem que não tem relação direta com a demanda inicial do cliente, o mesmo chega à sessão psicoterápica e vai tentar ou controlar a sessão, ou exigir que o terapeuta a controle. O terapeuta inseguro vai permiti-lo o controle, o autoritário vai controlá-la ou dar-se-a início a uma competição pelo controle. O objetivo da terapêutica deve ser eliminar essa necessidade pelo controle (que repercute na vida cotidiana do cliente).
O primeiro passo para isso é que o próprio terapeuta compreenda e trabalhe essa necessidade em si mesmo.

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