quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

A Psicologia da Felicidade - Mihaly Csikszentmihalyi



[pequeno fichamento]




Modelo de Mihaly Csikszentmihalyi do Fluxo em relação aos desafios e habilidades.







Fluir / Flow:
  • Experiência máxima da vida humana 
  • Alegria (sentimento), Criar (criatividade), envolvimento total com a Vida =)


“O acúmulo de expectativas é detido, as necessidades não satisfeitas deixam de perturbar a mente. Mesmo as experiências mais rotineiras tornam-se agradáveis” (p.21)

“Com o objetivo de lidar com esses obstáculos [expectativas / frustração; necessidade / insatisfação crônica] todas as culturas desenvolveram, com o tempo, mecanismos de proteção - religiões, filosofias, artes e comodidades - que ajudam [...] a acreditar que estamos no controle daquilo que está acontecendo [...] Mas esses escudos são eficazes apenas durante certo tempo [...] Quando as pessoas tentam alcançar a felicidade por conta própria, sem o apoio da fé, em geral tentam intensificar ao máximo os prazeres biologicamente programados em seus genes ou considerados agradáveis pela sociedade em que vivem” (riqueza, poder, sexo) (p.22)

“Apenas o controle direto da experiência, a capacidade de obter, instante a instante prazer com o que fazemos pode superar os obstáculos à satisfação” (p.22)


O Universo não está planejado de modo a oferecer conforto aos seres humanos!
Os processos naturais contrastam com a ordem que tentamos estabelecer em nossas metas 
~ caos ~


“É prudente não esperar que os esforços para modificar as condições externas melhorem de imediato nossa qualidade de vida”


“Como nos sentimos a respeito de nós mesmos, a alegria que experimentamos por estarmos vivos, dependem diretamente, afinal, do modo como nossa mente filtra e interpreta as experiências diárias.” [perspectiva] (p.24)



→ Vida ativa → Estar aberto a experiências, continuar aprendendo, fortes ligações e compromissos com outras pessoas e com o meio em que vivem.



Mitos e Crenças: “transformar as forças esmagadoras e aleatórias do universo em padrões controláveis ou, pelo menos, compreensíveis.”


(proteção, reafirmação da sua importância e sucesso final)


“Quando percebem que tudo em que acreditavam não é bem verdadeiro, abandonam a fé depositada nas demais coisas apreendidas. Privados do apoio habitual oferecido pelos valores culturais, perdem-se num emaranhado de ansiedade e apatia” (p.27)


Para a maior parte das pessoas existe, subjacente, a expectativa de que as coisas melhorarão. Conforme os anos vão passando, e a mortalidade vai se insinuando, as inquietações se agigantam: “onde está todo aquele dinheiro que eu deveria ter ganhado?”; “onde estão todos aqueles momentos agradáveis que eu ia passar?”; “Mas é só isso?”.


→ Ansiedade ontológica: a vida não tem significado e não vale a pena continuar vivendo.



Fomos condicionados a acreditar que um futuro de sucesso e felicidade estava preparado, esperando por nós. Hoje em dia essa insatisfação se apresenta cada vez mais cedo, por pais que põe o filho no centro do mundo. Mas quando esse filho sai de casa, o mundo não está tão preocupado em fazê-lo rei.


Soluções fragmentadas não funcionam, e tiram o foco do que é realmente importante:

  • Comprar mais e maiores e “melhores” coisas 
  • Academia, dieta, cirurgias plásticas 
  • Curso de motivação, de como ter mais amigos, ter poder 
  • Hobbies superficiais (ex. coleções), prazeres exóticos e diversões caras 
  • Vícios 



“Para superar as ansiedades e depressões da vida contemporânea, os indivíduos devem se tornar independentes do meio social, a ponto de não reagirem exclusivamente em função de suas recompensas e punições. Para atingir essa autonomia, devem aprender a oferecer recompensas a si mesmos. Devem desenvolver a capacidade de encontrar alegria e propósito independente das circunstâncias externas.” (p.34)


“A essência da socialização é tornar as pessoas dependentes de controle social e fazê-las reagir de modo previsível a recompensas e punições”


→ As leis controlam por ameaça, os políticos, igrejas, corporações e anunciantes por prazeres.


“Uma pessoa socializada por completo é aquela que só deseja as recompensas que os outros aceitam que ela deseje” (p,37)



Marco Aurélio: “Se as coisas externas lhe causam dor, não são elas que o perturbam, mas sim sua própria maneira de julgá-las. E está em seu poder eliminar tal julgamento”



Bem vs Mal / Prazer vs Dor, não são atributos da experiência em si, da realidade. A realidade é, apenas. O julgamento ocorre na consciência.



~ O controle da consciência determina a qualidade de vida ~


~ O controle da consciência conduz ao controle da qualidade da experiência ~


“Qualquer pequeno passo nessa direção tornará a vida mais rica, mais agradável, mais significativa”





CONSCIÊNCIA


Sem a consciência, reagimos de modo reflexivo, instintivo. Com a consciência, podemos avaliar as sensações, percepções, sentimentos e ideias, e reagir de modo deliberado, estabelecendo prioridades de ação.


Fenomenologia: lida diretamente com os fenômenos, tal como os vivemos e interpretamos, em vez de focalizar as estruturas anatômicas, os processos neuroquímicos ou mecanismos inconscientes.

Consciência como “informação intencionalmente organizada” (p. 48). Envolve a dinâmica da atenção e da memória. Sensações, sentimentos, pensamentos, intenções. A realidade vivenciada de forma subjetiva.


“Os acontecimentos externos não existem a não ser que tenhamos consciência deles”


“O que caracteriza alguém que controla a própria consciência é sua capacidade de focalizar a atenção conforme deseje [...] A pessoa que consegue em geral aprecia o curso normal da vida diária” (p.55)




* Recusando-se a depositar a atenção em pensamentos e atitudes improdutivos

* Satisfazer-se em registrar a realidade, compreendendo-a, sem julgá-la



SELF: Existe apenas na própria consciência

-> Representa simbolicamente todos os outros conteúdos, bem como o padrão de suas inter-relações.

Com muita frequência associamos nosso self ao corpo, embora possamos identificá-lo com uma casa, uma pessoa, uma ideologia, um emprego, um papel social.





Princípios: não sobre o sentido da vida, mas sobre a experiência de estar vivo! “De modo que nossa experiências de vida, no plano puramente físico, tenham ressonância no interior de nosso ser e de nossa realidade mais íntimos, de modo que realmente sintamos o enlevo de estar vivos”


Estamos tão empenhados em realizar feitos com o objetivo de atingir propósitos de um outro valor. [Buscamos a felicidade como a um objeto, uma pessoa; como se fosse algo para segurar na mão e não soltar mais e “pronto, agora sou uma pessoa feliz”. Nós esquecemos que a felicidade é um estado , que é preciso vivê-la e que ela não pode ser aprisionada em objeto algum, em pessoa alguma, em dinheiro nenhum. Ela é experienciada. Então, quando nos projetamos em uma busca pela felicidade, precisamos atentar que não buscamos coisas e sim um MODO DE VIDA FELIZ; o que queremos é vivenciar a experiência de estar vivo de um modo pleno, satisfatório, feliz. E isso independe de coisas, objetivos externos! ]


[A experiência da VIDA FELIZ PLENA precisa independer da realidade exterior / aparente. É a experiência que ressoa naquilo que é mais íntimo]




“O objetivo último da busca não será nem evasão nem êxtase, para si mesmo, mas a conquista da sabedoria e poder para servir a sociedade”

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