quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

O Homem à Procura de Si Mesmo - Rollo May




[pequeno fichamento]






O que impede o homem de hoje a encontrar valores e metas nos quais possa se firmar?


“O problema fundamental do homem em meados do séc XX é o VAZIO. Com isso quero dizer não só que muita gente ignora o que quer, mas também que frequentemente não tem uma ideia nítida do que sente”

Não se tem uma experiência nítida dos desejos e necessidades

O que o leva a um estado de não saber agir no mundo (pois somos primariamente movidos por nossos desejos e necessidades) → Impotência [não há potência de vida, não-ação]


Insatisfação nos relacionamentos, incapacidade de concretizar metas ou tomar decisões, são sintomas desse vazio (pois colocamos no outro, no trabalho, nas compulsões, as expectativas de superação dessa falta que é interna, íntima)

Apegamos-nos também aos desejos que os outros colocam sobre nós (e as outras pessoas passam pelo mesmo processo descrito acima!)

Terminar faculdade, casar, ter filhos, um bom emprego, magreza, férias em Orlando, comprar ‘x’, ‘y’, ouvir tal música, assistir tal série, etc.

Assim se perde ainda mais, pensando sobre o que deveria desejar.

Buscamos a felicidade na completude das expectativas alheias.



“Sou apenas uma coleção de espelhos refletindo o que os outros esperam de mim”



As experiências cotidianas tornaram-se mecânicas, vazias.
[não há propósito, não há realização pessoal]


A amostra de pessoas que procuram a psicoterapia constitui um barômetro sensível e revelador dos conflitos e tensões existentes sob a superfície psicológica da sociedade.


[Sociedade do Espetáculo. Valorização daquilo que aparece, daquilo que é mostrado. Era da extroversão. Mas a ação está a todo momento sob julgamento alheio: “Vive como se tivesse um radar preso à cabeća que o orienta e diz-lhe perpetuamente o que é que os outros esperam dele”]


Antigamente (até Freud), havia padrões moralistas extremamente definidos e fortes na sociedade. A globalização (revolução das comunicações) fez conhecerem-se e conviverem as culturas mais distintas, levando à reflexão sobre valores e regras sociais. Não há mais padrão. “Você pode ser o que quiser”. Mas há essa falha de que não nos é ensinado a reconhecer nossos desejos e necessidades, então ficamos procurando essas referências externamente, nas pessoas, coisas, mídias. Um externo totalmente volúvel e multifacetado e mutável. [ → ANSIEDADE]


Quando confrontado com a finitude (morte), o sujeito não se reconhece mais nesses referenciais externos. “Nada faz sentido”. Vazio existencial. Justamente porque o externo é mutável, flexível. Não há segurança. [É preciso ao homem aprender a guiar-se pelo referencial interno. A consciência que é mais íntima e pessoal. “O lugar em que tudo acontece”. É o único referencial permanente ao qual podemos nos conectar. Se a partir dele estabelecemos nossos propósitos (desejos e necessidades) não há mais ansiedade] → não se fica mais sujeito às consequências reforçadoras do mundo, somente àquelas do referencial interno !


Passividade e Apatia: características do homem moderno.


“O quadro mais nítido de uma vida vazia é a do homem suburbano, que se levanta à mesma hora todos os dias, toma o mesmo trem para trabalhar na cidade, executa as mesmas tarefas no escritório, almoça no mesmo restaurante, tem três filhos, cuida de um pequeno jardim, passa duas semanas de férias na praia todo verão, vai à Igreja no Natal e na Páscoa, levando assim uma existência rotineira, mecânica, ano após ano, até finalmente aposentar-se aos 65 e morrer, pouco depois, do coração, num colapso causado talvez por hostilidade recalcada”. “Sempre suspeitei, porém, que morre mesmo de tédio”.



Rotina = futilidade?

→ tédio → sentimento de inutilidade → desespero → atividades destrutivas



“Os que vivem uma existência vazia suportam a monotonia somente com explosões ocasionais - ou pelo menos identificando-se com a explosão de alguém”

[vícios]


“A conformidade está sendo elevada a algo parecido com uma religião”


Sentimento de vazio: impotência, “incapacidade para fazer algo de eficaz a respeito da própria vida e do mundo em que vivemos”.


“Uma vez que o que a pessoa sente e deseja não tem verdadeira importância, ela renuncia a sentir e a querer”


A apatia e a falta de emoção são defesas contra a ansiedade.


Erich Fromm: “Hoje em dia as pessoas deixaram de viver sob a autoridade da Igreja ou das leis morais, mas submetem-se a autoridades anônimas, como a opinião pública. A autoridade é o próprio público, mas esse público é uma simples reunião de indivíduos, cada qual com seu radar ligado para descobrir o que os outros dele esperam”


“No final, o que tememos é o nosso vazio coletivo”

→ nos apoiamos na crença de que alguém ali sabe de verdade o que é melhor, o que é certo, o que é bom.




Empobrecimento cognitivo: sujeição à uma autoridade destrutiva.

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